“Um Novo Olhar”: exposição propõe reflexões sobre memória, patrimônio histórico e espaço urbano

A mostra vai até o dia 27 de outubro e conta com fotografias, instalações e obras interativas

Por Everton Antunes

2–3 minutos

Foto: Obra da exposição “Um Novo Olhar”. Créditos: Everton Antunes

Anna Carolina Cruz – arquiteta, conselheira do CAU/GO (Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás) e produtora cultural – e Ana Rita Rodrigues – publicitária, fotógrafa e, também, produtora cultural – convergem a ciência urbana e o retrato sensível das lentes na exposição “Um Novo Olhar”, inaugurada no último dia 03. A mostra segue até o dia 26 de outubro, em Goiânia, na Sala Sebastião Barbosa da Vila Cultural Cora Coralina, e a entrada é gratuita.

Concebida a partir da combinação entre a fotografia, a pintura e entulhos de casarões demolidos, a exposição das artistas promove reflexões sobre o contexto do patrimônio histórico e arquitetônico em Goiânia, além das consequências da especulação imobiliária no espaço urbano. “Quando a gente pega uma cidade tão jovem sem valorização das edificações históricas, interpretamos isso como um enfraquecimento da nossa história”, explica Anna Carolina.  

O trabalho coletivo das artistas é, nas palavras da arquiteta, um “ato de manifesto”. “Foi uma junção de olhares: o meu, pela arquitetura – e por isso a escolha de Goiânia enquanto protagonista –, e o da Ana Rita, pelo olhar sensível da fotografia”, completa.

O acervo

Foto: Conjunto de obras manipuláveis da exposição “Um Novo Olhar”. Créditos: Everton Antunes

Ao longo da exposição, é possível encontrar obras em molduras manipuláveis – que escondem edifícios e construções emblemáticas de Goiânia sob a fachada de novos prédios residenciais, o que instiga a produção de sentidos. Também estão presentes fotografias do portfólio das artistas – que evocam a sensação de repetições e padrões, além da sobreposição de imagens –, instalações com o uso de detritos da demolição de edifícios – que, outrora, já representaram a arquitetura de um período da cidade –, terra, tijolos – que revelam questionamentos sobre a cidade e o apagamento histórico e identitário, em sintonia com o aumento das desigualdades. 

Foto: Obra da exposição “Um Novo Olhar”. Créditos: Everton Antunes

“Há, inclusive, uma das partes da exposição que são tijolos de casas demolidas no centro e a gente pergunta: “história tem preço ou tem valor?”. Os tijolos são cobertos por folha de ouro, exatamente para falar que a história tem valor; mas a gente vê que as pessoas têm optado muito mais pela questão do preço: casas históricas, construídas na origem da cidade, estão sendo vendidas para virar estacionamento”, descreve Anna Carolina.

Expectativas

No aniversário dos 91 anos de Goiânia – neste dia 24 –, Ana Rita comenta sobre a receptividade dos visitantes com a mostra: “a gente vê um público extremamente surpreso, que fica tocado e se sensibiliza com a reflexão proposta pela mostra. Por ser uma exposição apresentada na Vila Cultural, no centro da cidade, a gente percebe que existe um olhar mais sensível para as pessoas que ocupam a região e entendem o valor histórico do setor”. 

Já de acordo com a arquiteta, a mostra espera suscitar, entre os goianienses, a proposta de um futuro no qual o patrimônio histórico faça parte. “Se a gente não cuidar do nosso patrimônio hoje, o que vai ser da história da nossa cidade amanhã?”, indaga. 

Serviço
O quê: Exposição fotográfica “Um Novo Olhar”
Quando: 03/10 a 26/10, todos os dias das 9h às 17h
Onde: Sala Sebastião Barbosa, Vila Cultural Cora Coralina – Rua 03, Setor Central, Goiânia

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